NOSSO JUDÔ – MINHA PROFISSÃO, MINHA VIDA.

Conversava com um aluno dias atrás, na academia, e tentava explicá-lo todos os pormenores de um produto que criei — um software compilando todo o controle necessário de uma turma — a respeito de judô.

Ele é um shodan recém-formado e, portanto, cheio de curiosidade sobre a parte de ensino. Eu tinha argumento para praticamente tudo o que perguntava. De onde ele me sugeriu que escrevesse algo para os mais novos não terem que passar pelas mesmas dificuldades que os mais experientes, como eu, enfrentaram ao abrir caminho na floresta do judô até que o Brasil chegasse ao elevado estágio em que se encontra.

Pois bem, começo com um argumento: se é verdade que, tanto melhor é o judô que se ensina quanto mais dedicação o professor empenhe a seus alunos, pode-se concluir que, para viver de judô, há que se lucrar com ele. Caso contrário, perde o mestre, perdem os discípulos.

Em volta desse grande pilar, erguerei a minha tenda. Isto é, oferecerei algumas dicas para que o professor obtenha sucesso na sua atividade. Enfim, que lucre com ela.

Posso dizer que nos últimos anos recebi quase todas as demandas possíveis de alunos de judô das mais variadas idades e graduações, com suas diferentes ambições e os mais diversos objetivos. Percebi que o professor não pode perder de vista duas questões básicas: 1) O que o aluno quer?; 2) Como não deixá-lo desanimar?

Por outro lado, como professor, por diversas vezes me vi assaltado por interrogações gritantes. O que devo fazer para diminuir a natural rotatividade de alunos na academia? Como deixar o exame de faixa atrativo, necessário e lucrativo? E no período de férias escolares, o que faço da vida? Qual a melhor maneira de controlar a quantidade de treinos de cada aluno?

Bom, vou resumir em três grandes tópicos algumas considerações que ajudam a responder as questões levantadas.

a) Seu produto é sua própria imagem. Venda bem.
b) Seu cliente precisa de atendimento constante. Crie rotinas que o cativem.
c) O pai é tão importante quanto o aluno em si. Alie-se a ele.

Para executar essas três premissas, o professor pode lançar mão de uma série de medidas, adequadas às suas próprias características comportamentais e intelectuais.

Eu, do meu lado, recomendaria que, logo após a matrícula, o aluno receba uma mensagem de agradecimento pela confiança. E quem sabe uma boa conversa sobre as metas e prazos do treinamento.

Importante: registre tudo! Faça num caderno, se quiser. Mas há formas mais seguras e profissionais, como o software que mencionei há pouco.

Ao longo dos dias, meses e semanas em que o treinamento se desdobrará use as datas comemorativas para fazer contato com os alunos.

Cuidado para não invadir a privacidade dele. Use os meios tecnológicos disponíveis — e-mails, mensagens pelo celular. Faça da chamada o coração do aluno. Ou seja, faço-o entender que atingirá as metas estabelecidas se cumprir o número de treinos adequado. E poderá estabelecer novas e maiores metas a partir daí. Use sempre discurso positivo. E o mantenha informado da real situação do treinamento.

Para tratar com os pais, estabeleça uma linguagem corporal. Nunca, jamais esqueça o aniversário dos filhos ou interrompa uma explanação deles. Mantenha-os informados a respeito do treinamento e das metas. Mas não os aborreçam com essas informações. É preferível mandá-las por escrito, seja por carta ou por mensagens eletrônicas. Antes de fazer cobranças ou vender qualquer produto, faça um comentário positivo sobre o desenvolvimento do judô dos filhos deles.

É muito mais fácil manter o aluno do que trazê-lo de volta. Por isso, seja profissional e faça o aluno e seu pai perceberem isso. Não haja como se fosse dono do aluno. Se for o caso, indique outra academia perto da casa dele.

E jamais esqueça: o bom serviço rende frutos, produz resultados, é sempre procurado e recomendado entre os consumidores.

Organize-se, trabalhe e desfrute do privilégio de poder oferecer bons ensinamentos do nosso judô.